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Como calcular o preço de venda sem errar a conta

Quase todo erro de precificação nasce de confundir markup com margem, ou de esquecer o que incide sobre a venda depois que o preço já foi definido. Este guia mostra as duas fórmulas e o que precisa entrar na conta.

Por Kadu Rubim · CEO da Movenda · 17 de agosto de 2026 · 7 min de leitura

Qual a diferença entre markup e margem?

Os dois medem o mesmo lucro, mas a partir de bases diferentes — e essa é a raiz da maior parte dos erros de precificação.

Markup é quanto você acrescenta sobre o custo. Margem é quanto sobra sobre o preço de venda. Como o preço de venda é sempre maior que o custo, o markup é sempre um número maior que a margem para o mesmo produto.

Produto que custa R$ 60, vendido por R$ 100: Custo R$ 60 Lucro R$ 40 preço de venda R$ 100 Markup 66,7% — R$ 40 sobre o CUSTO de R$ 60 Margem 40,0% — R$ 40 sobre a VENDA de R$ 100 Mesmo lucro, dois percentuais. Quem confunde acha que ganha 66% quando ganha 40%.
Markup e margem descrevem o mesmo lucro a partir de bases diferentes — e é aí que a conta erra.

Quem diz "trabalho com 100% de markup" está dobrando o custo e ficando com 50% de margem. Quem acha que 100% de markup significa 100% de margem está contando com o dobro do dinheiro que vai receber.

Como calcular cada um?

As duas fórmulas, com o mesmo exemplo de custo R$ 60 e venda R$ 100:

Markup % = ((Preço − Custo) ÷ Custo) × 100 → ((100 − 60) ÷ 60) × 100 = 66,7%

Margem % = ((Preço − Custo) ÷ Preço) × 100 → ((100 − 60) ÷ 100) × 100 = 40,0%

Para ir do custo ao preço usando um markup definido, a conta é direta:

Preço = Custo × (1 + Markup)

Já partindo de uma margem desejada, a fórmula é outra — e é onde muita gente erra:

Preço = Custo ÷ (1 − Margem)

Com custo de R$ 60 e margem desejada de 40%: 60 ÷ 0,60 = R$ 100. Se alguém multiplicasse por 1,40 achando que dá no mesmo, chegaria a R$ 84 — e teria 28,6% de margem em vez dos 40% que queria.

O que precisa entrar na conta antes do lucro?

Custo de compra é só o começo. Antes de o dinheiro virar lucro, algumas coisas saem primeiro:

Uma forma prática de não esquecer: some os percentuais que incidem sobre a venda e trate esse total como redutor da margem. Se imposto, cartão e comissão somam 15%, uma margem bruta de 40% vira 25% antes de qualquer despesa fixa.

Como precificar produto de produção própria?

Quando o item é fabricado e não revendido, o custo não vem da nota — vem da receita. É o papel da ficha técnica: registrar quanto de cada insumo entra, com a quantidade real, incluindo perda de limpeza e embalagem.

Sem ficha técnica, precificar produção própria é chute. Com ela, o custo se recalcula quando o insumo muda de preço, e o preço de venda pode ser revisto com base em número. O detalhe de como montar a primeira está no guia de ficha técnica de cozinha, e a lógica vale para qualquer produto montado a partir de componentes.

Com que frequência revisar o preço?

A resposta prática: sempre que o custo mudar, e no mínimo uma vez por mês para os itens de maior giro.

O erro comum não é errar o preço na definição, é deixá-lo parado. O fornecedor reajusta em março, o preço fica igual até dezembro, e a margem que era de 40% terminou o ano em 22% sem ninguém perceber. Quem acompanha o custo por item enxerga isso no mês em que acontece, não no balanço.

Fontes

As fórmulas apresentadas aqui são as definições contábeis padrão de markup e margem. Os exemplos numéricos são ilustrativos, construídos para este guia, e não representam uma operação real.

Perguntas frequentes

Markup e margem são a mesma coisa?

Não. Markup é calculado sobre o custo e margem sobre o preço de venda. Um produto de R$ 60 vendido a R$ 100 tem 66,7% de markup e 40% de margem — o mesmo lucro de R$ 40, expresso de duas formas.

Qual markup devo usar?

Não existe número universal: depende do giro, da concorrência e da estrutura de custo. Faz mais sentido partir da margem que a operação precisa para cobrir despesa fixa e lucro, e converter essa margem em preço pela fórmula Preço = Custo ÷ (1 − Margem).

Como incluir taxa de cartão no preço?

Some os percentuais que incidem sobre a venda — imposto, cartão e comissão — e trate o total como redutor da margem bruta. Se somarem 15%, uma margem de 40% na prática entrega 25% antes das despesas fixas.

A fórmula é simples; manter o custo atualizado é que dá trabalho. Na Movenda o custo de cada produto se recalcula sozinho quando o preço de compra muda — inclusive para itens de produção própria, através da ficha técnica — então a margem que aparece na tela é a de hoje, não a do mês passado.

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