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Inventário de estoque: o que é, tipos e como fazer

O inventário é o momento em que o estoque do sistema encontra o estoque da prateleira. Feito do jeito errado, ele sempre fecha e não ensina nada. Feito do jeito certo, mostra onde o dinheiro está sumindo. Este guia mostra os tipos, a ordem certa e um modelo de ficha.

Por Kadu Rubim · CEO da Movenda · · 8 min de leitura

O que é inventário de estoque?

Inventário de estoque é a contagem física dos itens armazenados, comparada com o saldo que o registro diz existir. A diferença entre os dois é a divergência de estoque — e é ela que o inventário existe para revelar.

Ele serve a três coisas ao mesmo tempo: corrigir o saldo, para que compra e reposição partam de um número verdadeiro; medir perda, porque o que falta sem venda registrada é dinheiro que saiu; e fechar o custo, já que o estoque inicial e o final entram direto no cálculo do CMV.

Existe também o inventário exigido pela legislação fiscal e contábil, com regras e prazos próprios. Para essa obrigação, confirme com a sua contabilidade o que se aplica à sua empresa. Este guia trata do inventário como ferramenta de gestão.

Quais são os tipos de inventário de estoque?

TipoComo funcionaQuando usar
Geral (periódico)Conta todo o estoque de uma vez, em data marcada, com a movimentação parada.Fechamento de período e como ponto de partida, quando nunca houve inventário confiável.
Rotativo (cíclico)Divide o estoque em grupos e conta um grupo por vez, em ciclos, sem parar a operação.Rotina do dia a dia. Os itens de maior valor entram no ciclo mais curto.
ParcialConta só uma categoria ou um local, fora do ciclo.Quando uma divergência aparece e é preciso investigar um grupo específico.

O rotativo costuma ser o mais útil para comércio pequeno e médio: conta menos de cada vez, conta mais vezes o que importa e não obriga a fechar a loja. Para decidir o que entra em cada ciclo, a curva ABC separa os itens pelo valor que movimentam.

Como fazer inventário de estoque: passo a passo

  1. Defina data, escopo e responsáveis. Quais itens ou locais entram, quem conta e quem confere.
  2. Congele a movimentação. Entradas e saídas param durante a contagem, ou ficam separadas para lançar depois. Contar enquanto a mercadoria circula gera diferença que não existe.
  3. Organize antes de contar. Mesmo item num só lugar, embalagens abertas identificadas, unidade de medida definida (unidade, caixa, quilo).
  4. Conte sem ver o saldo esperado. Quem conta recebe só a lista de itens. Contar já sabendo o número faz a pessoa "encontrar" o que espera — é o método da contagem cega.
  5. Reconte as divergências. Todo item com diferença relevante é contado de novo, de preferência por outra pessoa.
  6. Compare e ajuste com motivo. O saldo é corrigido, e cada ajuste leva a causa provável: perda, quebra, validade, erro de cadastro, erro de recebimento.
  7. Analise antes de arquivar. Divergência que se repete no mesmo item é processo quebrando. O inventário só valeu se gerar uma correção na rotina.

Modelo de ficha de inventário

Um modelo simples para imprimir ou copiar. A coluna "saldo no sistema" fica em branco para quem conta e é preenchida depois, por quem confere:

Inventário — Data: ____/____/______ · Local: ____________ · Contado por: ____________ · Conferido por: ____________
CódigoItemUnidadeContagem 1RecontagemSaldo no sistemaDiferença e motivo

Com que frequência fazer inventário?

Não existe um calendário único. O que funciona é separar por valor e por risco:

Quanto mais curto o intervalo, mais fácil explicar a divergência, porque o que aconteceu ainda está na memória de quem trabalhou.

Erros que tornam o inventário inútil

Na Movenda, a conferência é feita sem mostrar o saldo esperado, e a diferença entre o que foi contado e o que foi vendido aparece sozinha. Veja como isso funciona no sistema para bares, onde a bebida é o item que mais some.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre inventário e balanço de estoque?

No dia a dia, as duas palavras costumam ser usadas para a mesma coisa: contar o estoque e comparar com o registro. Tecnicamente, balanço é um termo contábil mais amplo; para a gestão do comércio, o que importa é a contagem física e a análise da divergência.

Inventário rotativo substitui o inventário geral?

No dia a dia, sim: ele mantém o saldo confiável sem parar a operação. Ainda assim, vale fazer um inventário geral por período para recalibrar tudo, e há o inventário com finalidade fiscal, cujas regras devem ser confirmadas com a contabilidade.

Quanto de divergência é aceitável?

Não há um percentual único que sirva para todo negócio. O objetivo é uma diferença pequena e estável no seu histórico. Divergência que cresce de um inventário para o outro é o sinal de alerta, independentemente do tamanho.

Preciso parar a loja para fazer inventário?

Para o inventário geral, o ideal é parar ou separar a movimentação durante a contagem. O rotativo foi feito justamente para não parar: conta um grupo pequeno por vez, em horário de menor movimento.

Inventário que sempre fecha não é sinal de estoque saudável, é sinal de contagem influenciada. O que torna a contagem útil é contar sem ver o esperado, registrar o motivo de cada ajuste e voltar ao processo que gerou a diferença.

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