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Sangria de caixa: o que é, quando fazer e como registrar
Sangria é a retirada de dinheiro do caixa no meio do expediente. Parece simples, e é justamente a operação que mais gera diferença de caixa sem explicação quando não fica registrada. Este guia mostra quando fazer, o passo a passo e como conferir no fechamento.
O que é sangria de caixa?
Sangria de caixa é a retirada de parte do dinheiro em espécie da gaveta do caixa durante o expediente. O valor sai do caixa, vai para um cofre ou para o depósito, e fica registrado para ser descontado na conferência do fechamento.
Ela existe por três motivos: segurança, porque menos dinheiro na gaveta é menos dinheiro exposto a assalto; controle, porque o valor acumulado ao longo do dia fica mais difícil de conferir; e organização, porque gaveta cheia de nota graúda atrapalha o troco.
A operação contrária é o suprimento: a entrada de dinheiro no caixa, geralmente para reforçar o troco.
| Sangria | Suprimento | |
|---|---|---|
| Direção | Dinheiro sai do caixa | Dinheiro entra no caixa |
| Quando | Quando o valor na gaveta passa do limite | Quando falta troco |
| Efeito no saldo esperado | Diminui | Aumenta |
Quando fazer a sangria?
O gatilho mais seguro é um limite de dinheiro na gaveta, definido pela própria empresa. Quando o valor passa desse teto, faz-se a sangria. Não há um número que sirva para todo comércio: ele depende do movimento, do seguro contratado e do risco do local.
Além do limite, três momentos costumam pedir sangria:
- Depois do pico. Almoço, jantar ou fim de semana concentram dinheiro em poucas horas.
- Antes de o caixa ficar sem supervisão, como numa pausa longa do operador.
- No fim do expediente, deixando na gaveta só o fundo de troco do dia seguinte.
Um cuidado de segurança: evite fazer a sangria sempre no mesmo horário. Rotina previsível é informação para quem observa o caixa.
Como fazer a sangria de caixa: passo a passo
- Chame o responsável. Sangria não é feita por uma pessoa só: o operador do caixa e um responsável (gerente, supervisor ou dono) participam juntos.
- Conte o valor na frente dos dois. Separe as notas e confira a soma antes de tirar da gaveta.
- Registre no sistema. Valor, horário, operador e quem retirou. É esse registro que entra na conta do fechamento.
- Assine o comprovante. Os dois assinam, e o comprovante vai junto com o dinheiro, num envelope com o valor escrito por fora.
- Guarde ou deposite. O envelope vai para o cofre ou para o banco — nunca para uma gaveta qualquer do escritório.
- Confira no fechamento. A soma das sangrias do turno precisa bater com os envelopes guardados.
Como a sangria entra no fechamento de caixa?
No fechamento, o sistema calcula quanto dinheiro deveria estar na gaveta e compara com o que foi contado:
Saldo esperado em dinheiro = fundo de abertura + vendas em dinheiro + suprimentos − sangrias
| Item | Valor |
|---|---|
| Fundo de abertura | R$ 200,00 |
| (+) Vendas em dinheiro | R$ 1.450,00 |
| (+) Suprimento | R$ 100,00 |
| (−) Sangrias (R$ 800,00 + R$ 500,00) | R$ 1.300,00 |
| Saldo esperado | R$ 450,00 |
| Valor contado na gaveta | R$ 430,00 |
| Quebra de caixa | R$ 20,00 faltando |
Só o dinheiro em espécie entra nessa conta. Cartão e Pix são conferidos contra o extrato da maquininha e do banco.
O passo a passo completo do fechamento, com um modelo para imprimir, está no guia de fechamento de caixa.
Se uma sangria de R$ 500,00 não tivesse sido registrada, o sistema esperaria R$ 950,00 na gaveta e acusaria R$ 520,00 de falta. É assim que a sangria sem registro vira diferença de caixa que ninguém consegue explicar.
Erros comuns na sangria de caixa
- Sangria sem registro. O dinheiro sai, o sistema não sabe, e o fechamento acusa uma falta que não existe.
- Uma pessoa só conta e confere. Sem segunda conferência, erro e desvio ficam indistinguíveis.
- Envelope sem valor e sem assinatura. Na hora de conferir, ninguém sabe qual envelope é de qual sangria.
- Pagar despesa com o dinheiro da gaveta. Pagar o gás ou o motoboy com dinheiro do caixa não é sangria: é uma despesa, e precisa ser lançada como tal, com o comprovante do pagamento.
- Sangria no caixa de outro operador. Quebra a responsabilidade por turno. Se a diferença aparecer, não dá para saber de quem é.
Sangria de caixa na Movenda
Na Movenda, cada operador abre e fecha o próprio caixa. Abertura, sangria, suprimento e fechamento ficam registrados por operador e por turno, e a diferença aparece no fechamento, na hora da troca de turno, não no fim do mês.
Veja como isso funciona no sistema para lanchonetes e no sistema para cafeterias. Para o que mais um sistema de caixa precisa ter, veja o que é PDV.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre sangria e suprimento de caixa?
Sangria é a retirada de dinheiro do caixa durante o expediente, para reduzir o valor na gaveta. Suprimento é o contrário: a entrada de dinheiro no caixa, geralmente para reforçar o troco. No fechamento, a sangria diminui o saldo esperado e o suprimento aumenta.
Quem pode fazer a sangria de caixa?
Quem a empresa definir no procedimento. O recomendado é que duas pessoas participem, em geral o operador do caixa e um responsável, e que o registro identifique as duas. Assim, qualquer diferença pode ser rastreada.
Existe um valor certo para fazer a sangria?
Não há um valor único que sirva para todo comércio. Cada empresa define um limite de dinheiro na gaveta conforme o movimento, o seguro e o risco do local. Quando o valor passa desse limite, faz-se a sangria.
Sangria de caixa é o mesmo que quebra de caixa?
Não. Sangria é uma retirada planejada e registrada. Quebra de caixa é a diferença entre o saldo que deveria estar na gaveta e o valor contado no fechamento. Sangria sem registro é uma das causas mais comuns de quebra de caixa.
A sangria não é o problema: é a proteção. O problema é a sangria que não fica registrada, porque ela transforma uma retirada legítima numa diferença de caixa sem explicação. Duas pessoas, um registro e um envelope assinado resolvem.
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