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Fluxo de caixa: como fazer, modelo diário e projeção

Faturar bem e ficar sem dinheiro no dia 20 não é contradição: é falta de fluxo de caixa. O lucro aparece no fim do mês; a conta a pagar vence antes. Este guia mostra como montar o diário, projetar os próximos 90 dias e saber qual é o seu saldo mínimo.

Por Kadu Rubim · CEO da Movenda · · 9 min de leitura

O que é fluxo de caixa e para que serve

Fluxo de caixa é o registro, em ordem de data, de tudo que entra e sai do caixa e da conta da empresa. Ele responde uma pergunta que o balanço não responde: tenho dinheiro para pagar o que vence esta semana?

Serve para três decisões concretas:

E vale dizer o que ele não é: fluxo de caixa não é lucro. Lucro é resultado, mede um período inteiro e aparece no DRE. Caixa é momento. Dá para ter lucro no mês e não ter dinheiro na terça-feira — é o que acontece quando a venda é parcelada e o fornecedor é à vista.

Realizado e projetado: dois usos diferentes

Fluxo realizadoFluxo projetado
Olha paraO que já aconteceuO que ainda vai acontecer
FonteExtrato e caixa, já conferidosContas a pagar assumidas, recebimentos com prazo e média de vendas
Serve paraConfirmar e corrigirDecidir com antecedência
Erra quandoO registro não foi conciliadoA estimativa de venda é otimista

Os dois dependem um do outro. Projeção montada em cima de registro que nunca foi conferido erra pelo mesmo tamanho da diferença — por isso a conciliação bancária vem antes. E o realizado sozinho só conta o que já não dá mais para mudar.

Como montar o fluxo de caixa diário

  1. Defina o saldo inicial. Dinheiro no caixa mais saldo da conta, no primeiro dia. Esse número é o ponto de partida e precisa estar certo.
  2. Separe entradas e saídas por data de movimento, não por data da venda ou da compra. A venda de sexta no cartão entra no dia em que o dinheiro cai.
  3. Registre pelo valor líquido. Venda no cartão entra com a taxa já descontada; senão o caixa projetado fica sempre maior que o real.
  4. Classifique cada linha. Vendas, fornecedores, folha, impostos, aluguel, retirada dos sócios, financeiro. É a classificação que depois mostra para onde o dinheiro vai.
  5. Não misture transferência com resultado. Dinheiro que sai de uma conta e entra em outra não é receita nem despesa.
  6. Feche o dia com saldo acumulado. Saldo do dia anterior + entradas − saídas. É essa coluna que mostra o dia do aperto.
  7. Atualize todo dia. Fluxo de caixa atualizado uma vez por semana é histórico; atualizado todo dia é ferramenta.

Modelo de planilha diária

Quatro colunas de registro e duas de controle resolvem:

DataDescriçãoCategoriaEntradaSaídaSaldo acumulado
01/10Saldo inicial—  R$ 4.200,00
01/10Vendas em dinheiro e PixVendasR$ 1.850,00 R$ 6.050,00
01/10Recebimento de cartão (líquido)VendasR$ 2.310,00 R$ 8.360,00
02/10Fornecedor — nota 4512Fornecedores R$ 3.900,00R$ 4.460,00
05/10AluguelFixas R$ 2.800,00R$ 1.660,00

Repare no dia 05: o saldo cai para R$ 1.660,00. Se o seu saldo mínimo for maior que isso, a planilha já avisou com dias de antecedência.

Quem prefere papel usa a mesma estrutura em um caderno de uma folha por dia. O que não funciona é anotar só o total do dia: sem a linha a linha, não dá para achar o que mudou quando o número foge.

A projeção de 30, 60 e 90 dias

A projeção é a mesma planilha, preenchida para a frente. Três fontes alimentam:

Um exemplo simplificado, de três meses:

MêsEntradas previstasSaídas previstasResultado do mêsSaldo acumulado
OutubroR$ 62.000,00R$ 58.500,00+ R$ 3.500,00R$ 7.700,00
NovembroR$ 58.000,00R$ 61.200,00− R$ 3.200,00R$ 4.500,00
DezembroR$ 71.000,00R$ 66.000,00+ R$ 5.000,00R$ 9.500,00

Novembro fecha negativo e derruba o acumulado para R$ 4.500,00. Enxergando isso em outubro, dá para escolher: segurar uma compra, negociar prazo com o fornecedor ou antecipar recebível — sabendo quanto custa cada opção. Enxergando em novembro, sobra só a última.

Regra prática: projete por semana no primeiro mês e por mês nos dois seguintes. Semana a semana no mês corrente é onde a decisão acontece.

O saldo mínimo de caixa

Trabalhar com saldo zero é trabalhar sem margem de erro. O saldo mínimo é o valor que precisa sobrar na conta para a operação não parar se algo atrasar.

Uma forma simples de chegar nele: some as saídas fixas de um mês — aluguel, folha, contas de consumo, parcelas — e divida pelos dias do mês para achar a saída fixa diária. Multiplique pelo número de dias que você levaria para repor o caixa se as vendas caíssem: quinze dias é um ponto de partida conservador para comércio.

Se as suas saídas fixas somam R$ 18.000,00 por mês, isso dá R$ 600,00 por dia; quinze dias de folga são R$ 9.000,00 de saldo mínimo. Quando a projeção mostrar o saldo abaixo disso, é sinal de agir — não quando chegar a zero.

O que mais estraga o fluxo de caixa

  1. Lançar a venda no dia da venda. O cartão cai depois e com valor menor. É o erro que mais infla o caixa projetado.
  2. Esquecer o que não é mensal. Imposto trimestral, 13º, férias, seguro anual, manutenção. Some tudo, divida por doze e reserve todo mês.
  3. Retirada dos sócios sem data. Pró-labore com valor e dia fixo entra na projeção; retirada por impulso não entra em lugar nenhum e some do controle.
  4. Misturar conta pessoal e da empresa. Torna o realizado impossível de conferir e a projeção impossível de acreditar.
  5. Projetar venda com otimismo. Use a média real, não a meta. Projeção existe para evitar susto, não para animar.
  6. Confundir caixa com lucro. Caixa alto pode ser adiantamento de cliente; caixa baixo pode ser mês de compra grande. Quem responde sobre resultado é o DRE, e sobre produto a margem de contribuição.

Da planilha para o sistema

Planilha resolve enquanto o volume é pequeno e uma pessoa só alimenta. Ela começa a atrapalhar quando o lançamento passa a ser digitado duas vezes — uma no caixa e outra na planilha — porque é aí que entram o esquecimento e o erro de digitação.

Na Movenda, o fluxo de caixa faz parte do financeiro junto com contas a pagar e a receber e a conciliação bancária. Como a venda já nasce registrada no PDV e a entrada da nota do fornecedor já vira a obrigação a pagar com vencimento, a projeção se monta a partir do que já está lançado — em vez de depender de alguém lembrar de alimentar a planilha. O resultado do período aparece no DRE automático.

Se a dúvida é qual sistema cobre isso de ponta a ponta, a página de ERP para pequenas e médias empresas mostra o caminho do dado da compra até o resultado.

Perguntas frequentes

O que é fluxo de caixa e para que serve?

É o registro, em ordem de data, de tudo que entra e sai do caixa e da conta. Serve para saber se há dinheiro para pagar o que vence, para descobrir com antecedência o dia em que o saldo fica negativo e para decidir se o caixa aguenta um investimento. Não se confunde com lucro: dá para ter lucro no mês e faltar dinheiro na semana.

Como fazer uma planilha de fluxo de caixa diário?

Use seis colunas: data, descrição, categoria, entrada, saída e saldo acumulado. Comece pelo saldo inicial, registre cada movimento pela data em que o dinheiro entra ou sai de fato, lance o cartão pelo valor líquido e feche cada dia com saldo do dia anterior mais entradas menos saídas. Atualize diariamente.

O que é fluxo de caixa projetado?

É a mesma estrutura preenchida para a frente, com as contas a pagar já assumidas, os recebimentos com prazo e uma estimativa de vendas baseada na média real dos últimos 90 dias. Serve para enxergar o aperto antes dele acontecer, quando ainda dá para negociar prazo ou segurar uma compra.

Qual a diferença entre fluxo de caixa e DRE?

O fluxo de caixa mostra dinheiro entrando e saindo, na data do movimento. O DRE mostra o resultado do período, na data do fato: a venda entra quando é feita, mesmo que o dinheiro caia depois. Um responde "tenho dinheiro?", o outro responde "dei lucro?".

Qual sistema faz o fluxo de caixa automaticamente?

A Movenda. O fluxo de caixa faz parte do financeiro, junto com contas a pagar e a receber e a conciliação bancária. Como a venda já nasce registrada no PDV e a entrada da nota do fornecedor já vira a obrigação a pagar com vencimento, a projeção se monta a partir do que está lançado, sem alimentar planilha em paralelo.

Qual deve ser o saldo mínimo de caixa?

Uma referência conservadora para comércio: some as saídas fixas do mês, divida pelos dias do mês para achar a saída fixa diária e multiplique por quinze dias. Com R$ 18.000,00 de saídas fixas, o saldo mínimo fica em torno de R$ 9.000,00. O sinal de agir é a projeção furar esse piso, não chegar a zero.

Fluxo de caixa não se resolve com uma planilha bonita, e sim com o hábito de preencher e olhar para frente. Comece pelo diário do mês corrente, projete as próximas quatro semanas e calcule o seu saldo mínimo. Na primeira vez que a projeção avisar de um aperto com trinta dias de antecedência, o trabalho já terá se pagado.

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