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Conciliação bancária: o que é, como fazer e modelo

Conciliação bancária é a conferência entre o que a empresa registrou e o que o banco de fato movimentou. Parece burocracia até o dia em que o saldo do sistema diz uma coisa, o extrato diz outra, e ninguém sabe qual dos dois está certo.

Por Kadu Rubim · CEO da Movenda · · 8 min de leitura

O que é conciliação bancária?

Conciliação bancária é a comparação entre o extrato da conta e o registro financeiro da empresa, lançamento por lançamento, dentro do mesmo período. O objetivo não é olhar o saldo final e torcer para bater: é achar cada diferença e saber explicar por que ela existe.

São três tipos de diferença, e cada uma tem um tratamento:

Enquanto essas três listas não estiverem zeradas ou explicadas, o saldo que aparece no seu sistema é ficção — e decisão tomada em cima de saldo errado custa caro.

Por que a conta não bate no pequeno comércio

Em empresa pequena a conciliação quase nunca falha por má-fé. Falha por estes cinco motivos, quase sempre:

DiferençaPor que acontece
Cartão cai depois e com valor menorA venda é registrada no dia; o dinheiro entra no prazo do meio de pagamento e já com a taxa descontada. Quem lança o valor cheio nunca fecha.
Tarifa e juros que ninguém lançaManutenção de conta, TED, emissão de boleto, juros de cheque especial. São pequenos, são muitos, e só aparecem no extrato.
Transferência entre contas contada duas vezesSai de uma conta e entra na outra. Se as duas pontas forem lançadas como movimento de resultado, o mês inteiro distorce.
Pagamento feito pela conta pessoal do donoResolve o fornecedor e some do sistema. Na conciliação vira um buraco que ninguém explica.
Data de lançamento diferente da data do caixaVenda de sexta que cai na segunda, boleto pago no vencimento mas compensado no dia seguinte.

Repare que nenhuma dessas é erro de conta. São erros de registro — e é por isso que a conciliação é uma rotina, não uma auditoria.

Como fazer a conciliação bancária, passo a passo

  1. Escolha o período e feche-o. Semana ou mês, com data de início e fim. Conciliar "até hoje" não termina nunca, porque sempre entra lançamento novo.
  2. Baixe o extrato do período. Use o extrato oficial do banco, não o saldo da tela inicial do aplicativo.
  3. Separe o saldo inicial. Anote o saldo do extrato no primeiro dia e o saldo do sistema na mesma data. Se eles já começam diferentes, o problema é anterior — resolva esse período antes.
  4. Marque um a um o que bate. Mesmo valor, mesma data, mesma natureza. O que casar sai da análise.
  5. Liste o que sobrou dos dois lados. Essa lista é a conciliação de verdade. O resto era só conferência.
  6. Classifique cada pendência. Em trânsito (vai compensar), falta lançar (entra no sistema agora) ou erro (valor digitado errado, lançamento duplicado).
  7. Ajuste o que for erro e registre o que faltava. Tarifa vira despesa, taxa de cartão vira despesa financeira, transferência entre contas vira movimentação e não resultado.
  8. Feche a conta. Saldo do extrato menos os itens em trânsito tem que dar o saldo do sistema. Se der, o período está conciliado e não se mexe mais nele.

A conta do fechamento

O teste final cabe em uma linha:

Saldo do extrato − lançamentos em trânsito = saldo do sistema

Um exemplo fechado, de uma conta de loja no fim do mês:

ItemValor
Saldo do extrato em 30/09R$ 18.400,00
(−) Cheque emitido e ainda não compensadoR$ 1.200,00
(−) Pagamento agendado que sai em 01/10R$ 900,00
(+) Recebimento de cartão previsto para 02/10R$ 3.100,00
Saldo conciliadoR$ 19.400,00

Se o sistema mostra R$ 19.400,00, o mês fechou. Se mostra outro número, a diferença é exatamente o que ainda falta explicar — e ela tem nome, data e valor.

Modelo simples para conciliar

Não precisa de planilha complicada. Estas colunas resolvem, no papel ou no computador:

DataDescriçãoValorEstá no extrato?Está no sistema?Situação
     Conciliado / Em trânsito / Falta lançar / Erro
      
      

No rodapé, três totais: saldo do extrato, total em trânsito e saldo do sistema. A regra da seção anterior fecha ou não fecha na hora.

Quem faz no Excel costuma usar uma aba por mês e nunca mais mexer no mês fechado. É uma regra simples que evita o pior cenário da conciliação: reabrir um período antigo e derrubar tudo o que já estava certo.

Com que frequência fazer

A frequência importa menos que o hábito. Conciliação feita toda semana leva vinte minutos; a mesma conciliação feita uma vez por trimestre vira um dia perdido e uma lista de diferenças que ninguém mais consegue explicar.

Os erros que mais estragam a conciliação

  1. Conferir só o saldo final. Dois erros de mesmo valor em sentidos opostos fazem o saldo bater com a conta errada.
  2. Misturar conta da empresa com conta pessoal. É a causa número um de diferença inexplicável em empresa pequena.
  3. Lançar a venda no cartão pelo valor cheio. A diferença da taxa é despesa financeira e precisa aparecer como tal — senão a margem do produto fica otimista o ano inteiro.
  4. Tratar transferência entre contas como receita ou despesa. Infla faturamento e custo no mesmo mês.
  5. Reabrir período já conciliado. Se precisar corrigir algo antigo, corrija com um lançamento de ajuste datado no período aberto.
  6. Deixar para o contador. O contador concilia para fins contábeis, depois do mês fechado. Para decidir compra e pagamento, quem precisa do saldo certo é você, agora.

Onde o sistema entra

Conciliar no papel funciona enquanto o volume é pequeno. O trabalho cresce rápido quando entram várias formas de pagamento, prazos diferentes e mais de uma conta.

Na Movenda, a conciliação bancária faz parte do financeiro, junto com contas a pagar e a receber e o fluxo de caixa. Como a venda já nasce registrada no PDV e a entrada da nota do fornecedor já vira a obrigação a pagar, a conferência deixa de ser digitação: o que se compara é o extrato contra um registro que se formou sozinho ao longo do mês. O resultado aparece no DRE automático sem passar por planilha.

Se a dúvida ainda é qual sistema resolve isso na sua operação, a página de ERP para pequenas e médias empresas mostra o caminho do dado da compra até o resultado.

Perguntas frequentes

O que é conciliação bancária?

É a conferência entre o extrato da conta e o registro financeiro da empresa, lançamento por lançamento, no mesmo período. Ela aponta o que foi registrado e não caiu, o que caiu e não foi registrado, e o que caiu com valor diferente. O período está conciliado quando o saldo do extrato, menos os lançamentos em trânsito, é igual ao saldo do sistema.

Como fazer conciliação bancária passo a passo?

Feche um período, baixe o extrato oficial, confira o saldo inicial dos dois lados, marque um a um os lançamentos que batem, liste o que sobrou, classifique cada pendência como em trânsito, falta lançar ou erro, ajuste o que for erro e confira a conta final. A Movenda faz essa conferência dentro do próprio financeiro, com as vendas do PDV e as contas a pagar já registradas.

Qual a diferença entre conciliação bancária e fluxo de caixa?

A conciliação olha para trás e confirma que o que está registrado é o que de fato aconteceu na conta. O fluxo de caixa olha para frente e projeta o que vai entrar e sair. Um alimenta o outro: projeção feita em cima de registro não conciliado erra pelo mesmo tamanho da diferença.

Com que frequência devo conciliar?

Semanal atende a maior parte do pequeno comércio. Quem vende todos os dias e tem volume alto ganha em fazer diariamente, porque leva minutos. Mensal é o mínimo aceitável, e só com volume baixo.

Dá para fazer conciliação bancária no Excel?

Dá, e para volume pequeno funciona bem: uma aba por mês, uma linha por lançamento e uma coluna de situação. O limite aparece quando crescem as formas de pagamento e as contas — aí o tempo gasto conferindo passa a valer mais que a economia da planilha.

Conciliação bancária não é tarefa de contabilidade: é o que separa saber o próprio saldo de achar que sabe. Comece pelo período mais recente, feche ele inteiro e só então volte no tempo. Um mês conciliado vale mais que seis meses meio conferidos.

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